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Falta de instrução no mundo moderno

Comprar pela internet, redigir e enviar um e-mail ou até mesmo uma mensagem de texto através do celular, são atividades rotineiras dos "conectados" e que são tarefas impossíveis para a maioria absoluta da população. A falta de computadores torna-se uma das causas. Segundo a ONG Leia Brasil, antes de pensar em combater a exclusão digital através da divulgação de acesso à informática, o governo precisa eliminar o analfabetismo funcional, porque o indivíduo até é capaz de ler, mas não consegue entender o que leu. Deste modo, ao surgir uma grande quantidade de informações que trafegam na internet, acabam por não conseguir selecioná-las.

De acordo com pesquisa realizada em 44 países pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos) constatou-se que o Brasil tem 67% de seus estudantes na faixa de 15 anos de idade atribuídos como analfabetos funcionais.

Em 2003 o ENEM ( Exame Nacional do Ensino Médio), também contribuiu para aumentar a preocupação da ONG Leia Brasil, que trabalha para promover a leitura: na avaliação, os alunos de famílias de nível socioeconômico mais alto, que tem o privilégio de ter acesso a TV por assinatura, internet, DVD e leitura tiveram desempenho muito elevado em uma escala de 0 a 100 na prova objetiva, pois eles alcançaram média de 63 pontos contra 41 dos estudantes com menor acesso. Da mesma forma, quem lê jornais, revistas e livros conseguiram média até sete pontos acima de quem não tem o costume de ler.

Outro dado alarmante segundo a ONG: apenas três em cada dez estudantes brasileiros na faixa de 15 anos entendem o que lêem. Para estes, a nova sociedade da informação, que requer compreensão de texto e também vivacidade no contato com a tecnologia, pode ficar a cada dia mais distante, aumentando o espaço que separará, no futuro, os que terão emprego dos que não têm condições de competir no mercado de trabalho. Para se tirar esta grande diferença o governo precisará criar um programa de incentivo à leitura. Inclusão digital não inclui apenas o computador, o fator principal seria a leitura, pois nem tudo é só imagem. Sem leitura não é possível se ter inclusão digital, pois não adianta se mandar um laboratório de informática para uma escola e não ter condições mínimas para que seja ministrado o aprendizado.

Outro assunto a ser avaliado é a capacidade de o analfabeto funcional entender (e ser capaz de peneirar) a enxurrada de informações que a internet oferece. Para um analfabeto funcional, a internet pode apresentar verdadeiros labirintos, com vários links levando o usuário de uma página a outra em apenas um clique, diferentemente de um livro, pois ela não tem começo, meio e fim - pode confundir.

Isto faz com que os educadores, entretanto , não discordem da importância do livro (de papel) e de seu futuro como suporte de leitura. Segundo o escritor Umberto Eco, em conferência realizada em Buenos Aires em 1998: "os livros são como o martelo e a colher: depois de criados, não houve mais forma de melhorá-los. Os objetos de leitura são parte desses maravilhosos utensílios que a humanidade inventou e ainda nos vão acompanhar por muito tempo, para sempre".

Dizem os educadores, quer seja através do livro de papel quer seja do digital, nenhum esforço para a aproximação do analfabeto funcional da leitura terá sido em vão. É realmente preciso ler.



Perguntas, respostas e dicas | Achando as palavras procuradas

Autor:  Alexander Zirkelbach
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