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Eu tive uma comborça ... continuação - 3ª parte

No comecinho de julho Sergio chegou em casa desesperado atrás das cartas que trocamos nos nossos quase 7 anos de namoro. Ele disse que, sem querer abriu um arquivo no computador de seu consultório e leu uma mensagem que escreveu para Sofia na época do “namoro”. Disse estar assustado pois não se reconheceu ali, naquele escrito.
Deve ter mexido muito com ele pois, no dia seguinte, têve sua primeira sessão de psicoterapia.
No dia 14 á noite, me entregou uma carta enorme. Era a carta de um homem desesperado. Um homem perdido, que não se entendia, que não sabia como foi capaz de me trair. Dizia sofrer muito pois eu sempre fui e era o amor de sua vida, pedia perdão, pedia outra chance, blá, blá, blá ...
Não acreditei em uma só palavra. Fiquei puta, sentindo que ele, outra vez, queria me enganar, me enrolar.
No dia seguinte, 15/07, uma sexta feira acordei super atarefada pois, dentre outras coisas, eu tinha que organizar, para aquela noite, uma festa de aniversário para Paula, minha filha mais nova.

**Deixando de lado o conteúdo dos e-mails trocados por Sergio e Sofia, no mais, Sergio sempre foi um homem muito sensato, um profissional sério, de primeira categoria, um homem “pé no chão”. Só o vi chorar na morte de seus pais.
Naquela manhã, apareceu na minha frente completamente transtornado,
surtando mesmo !!!
Chorava copiosamente, me segurava não me deixando sair de perto dele.
Chorava e falava sem parar, com profundo desespero.
Eu, apesar de ter muito o que fazer, muito assustada lhe dei certo apoio,por exemplo, como ele não tinha condições de dirigir e se desesperava quando eu saia de perto, eu o levei de carro para que cumprisse os compromissos de trabalho daquela manhã
(os compromissos da tarde, ele desmarcou). Trouxe-o de volta e ele se instalou na nossa cama, ali ficando com seu surto de desespero.
Eu, com mil coisas para fazer, evitava entrar no quarto pois, quando tive que fazê-lo ele me agarrava querendo que eu ali ficasse.
Fugi dele a tarde toda e continuei organizando a festa de aniversário e pensando ...

O que é que aquele homem desesperado, fora de si poderia aprontar na frente dos convidados de Paula, minha filha ?
Poderia muito bem dar um belo de um vexame.

Decidi então, tirá-lo de casa.
Levei-o para São Paulo onde nos hospedamos num hotel. Ficamos no mesmo quarto e na mesma cama.
Eu tinha sentimentos contraditórios pois, como meu caso, minha vida com ele estava encerrada para sempre, eu, vendo-o naquela situação sentia um misto de pena e curiosidade. Me sentia um pouco superior, no comando.

Lá pelas tantas, Sergio, deitado de lado, parecia dormir. Eu assistia TV e pensava com carinho e expectativa na viagem que faria com Tadeu na semana seguinte.
Pensar em Tadeu me acalmava, me fazia bem, me deixava feliz e com tesão.
Tadeu me ensinou muito, principalmente de sexo.
Foi tudo tão bom que minha libido triplicou.
Agora vou contar a “burrada” que causou uma guinada na minha vida :


Comecei a assistir um programa erótico na TV que foi me deixando muito excitada.
Não me agüentava de tesão e tinha que ter certeza que Sergio dormia pra poder me masturbar.
Que droga ! De quando em quando Sergio dava mostras de estar acordado.
Na maior irresponsabilidade eu me encostei nele e coloquei uma de minhas pernas sobre ele que a puxou mais para si e começou a acariciá-la.
No começo, bem sutilmente.
As carícias foram aumentando e eu, movida pelo tesão,
pela curiosidade e vontade de fazer doideiras, fui deixando ...
Acabamos tendo uma transa muito doida, loucura total e, devido á situação, doentia até.


Depois dos dias passados com Tadeu eu me portava completamente diferente na cama. Muito mais solta, mais “doida” e Sergio entrou na minha.

Dormimos ...

No sábado acordei sem o mínimo remorso. Eu sentia tê-lo usado pois naquele momento eu teria transado com qualquer homem que estivesse ao meu lado. Sergio serviu como um instrumento para abrandar meu tesão.

Fomos ao shopping. Ele pegava na minha mão, eu estranhava e ao mesmo tempo me divertia com aquela situação inusitada na minha vida.

Voltamos pra casa. Era dia 16 de julho, aniversário de Tadeu. Liguei para
cumprimentá-lo e, mesmo sendo ele um homem casado eu sentia tê-lo traído.

Sergio e eu passamos a transar loucamente.
Menti á ele que, quando no Spa, me masturbei muito e acabei descobrindo melhor meu corpo e era por isso que agora eu transava daquele jeito.

Passei a ver Sergio de um jeito diferente, na verdade ele parecia ser outro homem.
Não era o homem normal que foi casado comigo por tantos anos, não era o imbecil que se relacionou com a comborça, era um homem mais humano, que me olhava com muito amor e que precisava desesperadamente de mim.
Era gostoso ter um homem assim ao lado. Tinha também a gostosura do proibido, da novidade.

Não sou nada promíscua, então adiei a viagem que faria com Tadeu até conseguir colocar minhas idéias em ordem. Dei ao Tadeu uma desculpa qualquer. Continuamos a nos falar todos os dias mas nada lhe contei sobre Sergio.
Eu simplesmente não conseguiria transar com um homem hoje e com outro amanhã.
Minha intenção era ser amante de Tadeu, algo excitante e inédito na minha vida. Pensava em dar um basta no que vinha acontecendo comigo e Sergio só que os dias iam se passando e eu cada vez mais me envolvia com aquele novo homem. Aquele sensível, desconhecido e apaixonado que era Sergio agora.
Conforme fui me envolvendo, os fatos, os detalhes da traição que tanto eu conhecia e que antes me despertavam ódio, revolta e me deixavam atônita passaram a me fazer sofrer muito.
Eu sabia ser impossível esquecer, ter uma nova vida com Sergio depois de tudo mas não conseguia me livrar e nem ele deixava que eu me libertasse.
Muitas vezes, durante crises de dor e angustia, eu pegava o carro e fugia pra qualquer lugar, sempre com planos mirabolantes de comprar uma casa e me mudar para longe e, longe dele, começar uma nova vida. Dois dias depois a solidão e a insistência de Sergio me faziam voltar.

Sergio se mordia de ciúmes de Mauro, me vigiava e eu não negava que ainda tinha contato com ele. Eu tinha este direito.
Mal Sergio sabia que Mauro nada significava para mim e que metade do meu coração tinha um dono que ele nem sonhava existir: Tadeu.
Eu sempre tive, tenho e vou ter grande consideração, carinho e amor pelo que ocorreu entre Tadeu e eu.
As crises de ciúmes que eu tinha de Sergio despertavam grande sede de vingança e, contar sobre Tadeu seria uma grande vingança mas eu não queria fazê-lo pois, aquela, era uma história só minha.
Eu nunca perdia a esperança de me livrar de Sergio e viver livremente um caso de amor com Tadeu.

O mês de agosto transcorreu com meus altos e baixos de sempre, intercalando momentos de carinho e sexo com grandes crises de angustia desencadeadas por ciúme, pela dor da traição, pela humilhação sofrida, pelas dúvidas, por tudo o que Sergio foi capaz de fazer de mal para mim.
Eu sabia que Sergio, no início de maio, passara 3 dias e 2 noites com Sofia, hospedado num magnífico hotel numa estância turística.
Um dia, imaginando o sexo entre eles tive uma crise de raiva, ciúmes, rancor, ódio, tudo ...
Movida por estes sentimentos resolvi “jogar m. no ventilador”, ou seja, inviabilizar de vez uma possível vida com Sergio.
Até aquele momento só eu, Sergio, a “comborça”, minhas filhas e o advogado sabiam da “traição”. Se a história vazasse estaria tudo, definitivamente acabado. Pra acabar eu liguei e contei pra minha irmã e pra uma cunhada.
Sergio entendeu meu gesto de “foder” tudo, tanto, que foi se orientar com o advogado.

Eu estava chorando na cama, já arrependida de ter contado algo que me envergonhava tanto para outras 2 pessoas. Na verdade chorava também por ter perdido aquele
“novo Sergio” para sempre.
Se sabia estar tudo acabado eu não sei porque é que Sergio veio me contar umas intimidades dele com Sofia. Acho que foi porque nada mais tinha a perder que ele quis esclarecer alguma coisa.
Sentou-se numa cadeira próxima e começou a contar que, o sexo, praticamente não aconteceu entre eles.

Que o tamanho da mulher praticamente impossibilitava o ato.
Pelo que entendi ele praticamente “brochou” ou teve só uma pequena ereção.
Disse que era desagradável, que, entre outras coisas, ela tinha um hálito insuportável.

Contou também que sexo não era o que ele queria mas que tinha que fazer, que o que ele queria mesmo era conversar, conversar e conversar, principalmente recordar o passado.
Eu, sem raciocinar direito, sem relacionar os detalhes que sabia, naquele momento, tive uma sensação de alívio e abri os braços para ele.
Foi um momento de grande emoção !
Minha vida se preparava para virar um inferno.

Comecei a fazer terapia em São Paulo com Dr Ricardo e, para facilitar a terapia, para ficar longe de Sergio e também para poder procurar uma casa em São Paulo eu fui morar num flat por 1 mês,
Lá, sozinha eu continuava a ter minhas crises de angustia. São crises horríveis que causam até falta de ar.

Tadeu continuava a telefonar e escrever. Ele sabia que eu estava morando em São Paulo mas não sabia onde. Chegou a conversar com o porteiro do prédio de Paula e soube que eu não morava ali.
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Continua ...



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Autor:  Ana Miranda
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